O sobrinho de Freud que revolucionou a comunicação social no século XX.

Já estamos habituados, há muito tempo, com a interferência da propaganda em nossa vida, mas uma pessoa do século XX é responsável por ter revolucionado essa área da comunicação.
Edward Bernays é considerado o pai das relações públicas, ele as chamou assim porque, na época, a palavra “propaganda” era associada ao regime nazista.

O diferencial de Bernays estava na forma como ele utilizava comunicação e Psicologia. Também não era pra menos, ele tinha por perto uma das maiores referências mundiais e atemporais da Psicologia: Sigmund Freud, seu tio em dose dupla. Sua mãe era irmã de Freud, e a irmã de seu pai era casada com ele.

Nasceu em 1891 em Viena, mas mudou-se muito cedo para Nova York com os pais. Mesmo longe do tio, continuou aprendendo com ele, e nutrindo sua paixão pela Psicologia.
Bernays buscou maneiras de influenciar multidões, aprendeu com o tio que as pessoas reprimem instintos e que é necessário ter referências e atuações sociais que conduzam esses instintos da melhor forma possível.

Uma de suas publicidades mais geniais foi para a marca de cigarros Lucky Strike. A marca se preocupava com as baixas vendas para um grupo grande: as mulheres. Isso porque, naquela época, elas eram proibidas de fumar em público.
Bernays, na missão de estimular mulheres a serem consumidoras de cigarro, teve a sacada de pensar o cigarro como um símbolo de liberdade e poder feminino, posicionando o ato de fumar como rebelião feminista. O slogan era: “mulheres, acendam suas tochas de liberdade”. No dia seguinte, já era um sucesso na mídia e na rotina de muitas mulheres.

Justamente por influenciar multidões, inclusive em questões políticas e sociais, Edward Bernays foi uma figura polêmica e criticada, principalmente por sua atuação definitiva no processo político da entrada dos Estados Unidos na 1º Guerra Mundial e pela propaganda anticomunista feita por ele durante a Guerra Fria.

Por trabalhar para lideranças políticas da direita, foi acusado pela esquerda mundial de ter se igualado aos nazistas. A estratégia das “relações públicas” para não se assemelhar ao regime, portanto, não funcionou depois de um momento.
Bernays se defendia dizendo que acreditava nas disputas de narrativas e de propagandas, e não em propagandas e narrativas únicas e tiranas como acontecia no regime nazista. Por outro lado, não se abalava com as críticas, continuava seu trabalho de convencimento das massas.

Para além das polêmicas, é evidente a genialidade de Bernays na comunicação mundial. Sua metodologia jamais deixou de ser usada e suas técnicas foram, e ainda são, poderosas no convencimento público. Na década de 1980, já aos 90 anos, ele ainda era consultor de departamentos dos EUA. Faleceu em 1995, aos 103 anos.

Se interessou pelo sobrinho prodígio de Freud? Então, indicamos o seriado documental “O século do ego”, que conta sua trajetória, detalha seus trabalhos de sucesso e explica suas técnicas de convencimento social.
Vale a pena conferir!