Histórias que só acontecem na rádio.

Ele tinha um vozeirão, mas jamais pegaria um microfone para narrar qualquer coisa que fosse. Ele amava os bastidores. Trabalhou por duas décadas na Jovem Pan, sua grande paixão. Foi lá que aprendeu a escrever, a investigar e a ser jornalista na acepção plena da palavra. Foi lá que colecionou histórias de vida que o acompanharam até sua morte, em 2002. Amadeu Naddeo (ele odiava o Amadeu) dizia que rádio é agilidade, é notícia, é música, é onde tudo acontece “ao mesmo tempo agora”, cúmplice da solidão de milhões de pessoas por mais de um século – é para informar e para divertir.

Meu companheiro por 20 anos, pai dos meus dois filhos e de outros dois que amava com todo seu grande e imenso coração, Naddeo adorava reunir os amigos para contar as histórias que só acontecem com quem trabalha em rádio, como dizia. Já em Araraquara, depois de duas décadas na Jovem Pan São Paulo, ele literalmente chorava de rir ao lembrar, por exemplo, do repórter que entrou ao vivo para relatar uma invasão de frangos em uma das principais avenidas da capital. O repórter dizia que “os animais, que fugiram de um galinheiro, estavam provocando um enorme congestionamento”.

O âncora do Jornal da Manhã entrou em seguida e explicou: “Fulano (não lembro o nome), frango não é animal”. Fernando Vieira de Mello (o pai), então diretor de jornalismo, entrou como uma fera no estúdio durante o intervalo: “Não é animal? Como assim? Frango é o quê?” O âncora não teve dúvidas e, assim que o jornal voltou, esclareceu: “Sim, frango é animal!” Quase foi demitido. Diz a lenda que o apelido do repórter era Franguinho!

Enfim, rádio é isso! É improviso, é história, é tudo de bom. Portanto, um super Dia do Rádio para todos, para os profissionais que fazem acontecer e para o ouvinte, que permite que ele aconteça.